Medicinal Waste: Produtos médicos e de saúde criados com resíduos reciclados

By 19 de janeiro de 2022 março 24th, 2022 Blog, Tendência

Impulsionadas pela pandemia quando, no início de 2020, o mundo sofria com o desabastecimento de EPI’s e outros materiais médicos, o segmento de saúde passou a buscar alternativas tanto para resolver a questão da falta de produtos, quanto para amenizar a problemática do grande volume de resíduos que precisam ser descartados diariamente nas unidades de saúde. 

Segundo a Organização Mundial de Saúde, cerca de 85% dos resíduos hospitalares não são infecciosos, sendo, inclusive, a sua maioria reciclável. Só para se ter uma noção do quanto é produzido, aqui no Brasil, segundo o Panorama de Resíduos Sólidos da Abrelpe, foram recolhidos 290 mil toneladas de resíduos de serviços de saúde em todo o país. Sendo parte disso descartada sem tratamento prévio em locais como lixões e aterros.  E é com foco nesse material que tem potencial para ser reciclado que estão surgindo inovações. 

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Resíduos hospitalares transformados em EPI’s

O primeiro exemplo foi desenvolvido na Universidade da Califórnia, onde uma residente em dermatologia e sua professora começaram a criar máscaras faciais a partir das embalagens que envolvem o material cirúrgico esterilizado. Esse material passa pelo mesmo procedimento de fabricação das máscaras N95 e são eficazes na filtragem de partículas nocivas. A iniciativa recebeu o nome de “Recyclablu” e foi apontada pela OMS como um dos Dispositivos Médicos Inovadores de 2021 para COVID-19.

Máscaras da Recyclablu feitas de resíduos médicos

E se te falassem que é possível fazer máscaras a partir dos resíduos de café? Sim, é possível e a responsável por isso é a ShoeX, uma empresa vietinamita. A máscara facial chamada de “AirX”  é vegana, biodegradável, antimicrobiana e certificada com o padrão da indústria de tecidos antimicrobianos nos Estados Unidos. A máscara é feita com fio de café e possui um filtro de ar biodegradável feito com nanotecnologia de prata e café que deve ser substituído a cada 30 dias. 

AirX – máscara de café

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Resíduos alimentícios transformados em medicamentos

Além dos desafios com os resíduos hospitalares, tem também inovações que utilizam como matéria prima produtos residuais que são descartados em grandes quantidades, como é o caso dos resíduos das vinícolas. A Swisse Wellness, marca australiana, em conjunto com a Universidade de Tecnologia de Swinburne e o Centro de Pesquisa Cooperativa de Desperdício de Alimentos, instituição de caridade da Austrália, estão transformando sementes de uva que sobraram da produção de vinho em  ingredientes nutracêuticos, ou seja, aquelas substâncias que são alimentos ou parte deles, que fornecem benefícios de saúde, incluindo a prevenção e tratamento de doenças.

Outra inovação são as bandagens de hidrogel feitas a partir das cascas descartadas de durian, uma fruta comum de ser encontrada na Indonésia e Malásia. Pesquisadores da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Cingapura, extraíram celulose de alta qualidade das cascas e, ao combinar com dois outros ingredientes, criaram um gel que ajuda na recuperação rápida de feridas e reduz as chances de infecções. E foi também em Cingapura que um grupo de pesquisadores desenvolveu um método para transformar cascas de camarões e caranguejos em levodopa, uma droga amplamente usada para tratar a doença de Parkinson.

Cascas de camarões e caranguejos transformados em droga para doença de Parkinson

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Segunda chance para o plástico hospitalar

Também é possível encontrar inovações voltadas para a preocupação com a destinação correta do plástico hospitalar. A Bélgica está implantado um esquema piloto de reciclagem de PVC médico proposto pelo Vinyl Plus, o compromisso voluntário da indústria europeia que produz plástico. O projeto foca em resíduos de PVC classificados como “limpos”, como é o caso das máscaras de oxigênio e anestésicas, por exemplo, que podem ser recicladas e transformadas em diferentes produtos. O objetivo é acelerar a sustentabilidade nos cuidados de saúde em toda a Europa. Já nos Estados Unidos, um consórcio técnico privado chamado HPCR já vem atuando nessa mesma linha de reciclagem de plásticos em ambientes clínicos de hospitais há algum tempo. 

O seu negócio tem abertura para esse tipo de inovação? Qual resíduo poderia se tornar a sua principal matéria prima? Ou até, qual material que você descarta que tem potencial para ser reciclado?

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