Grandes marcas investem na revenda de produtos de segunda mão

By 28 de julho de 2021 Blog, Radar, Tendência

A economia de segunda mão vem crescendo não só motivada pela crise financeira, mas também por ter mais pessoas preocupadas com o consumo consciente. E a pandemia acelerou isso. Uma pesquisa da ThredUp e GlobalData Retail, mostrou que o mercado de “segunda mão” de roupas deve atingir $64 bilhões de dólares nos próximos cinco anos, ultrapassando o segmento de vendas tradicional até 2024. A mesma pesquisa mostra que esse crescimento está super ligado ao comportamento de compra da geração Z, uma galera que realmente está mais atenta às pautas como sustentabilidade. 

Veja também: As transformações no mercado provocadas por uma geração que não gosta de rótulos

Móveis de segunda mão, sim!

Acompanhando essa tendência em alta, grandes empresas estão inovando e adotando a prática da revenda tanto como um princípio de sustentabilidade, cuidando de todo o ciclo dos seus produtos (que é a economia circular) ou como uma oportunidade de diversificar suas fontes de lucro.

O primeiro exemplo vem de um ramo tradicional em revenda: os móveis. A IKEA, a gigante marca sueca de móveis e decoração, possui um serviço chamado “2ª vida”. O projeto compra de volta os artigos usados por até 50% do valor original, de acordo com o estado de conservação do produto, e revende pelo mesmo valor. Já os itens não vendidos recebem um destino responsável. Aqui no Brasil, a Mobly, loja de móveis on-line, tem um programa similar. O “Mobly Usados” avalia itens de qualquer marca e revende cobrando 30% do valor da transação.

Veja também: Inovações que movimentam a economia circular

A moda continua na moda

Levi’s SecondHand – Foto do site oficial

Outra grande indústria que vem abraçando o movimento de revenda é a moda. A Levi’s, tradicional marca de jeans, recebe itens de segunda mão próprios da marca, higieniza, se necessário customiza e vende em uma loja on-line chamada Levi’s SecondHand. A H&M, marca gigante de fast fashion, também conta com um site de revenda, o Sellpy. A marca recolhe, fotografa, vende e entrega roupas sem nenhum custo para os consumidores. Este mês, a Renner, fast-fashion aqui do Brasil, fechou a compra de um grande site de revenda de roupas, o Repassa. A marca que já trabalha com alguns projetos voltados para sustentabilidade, agora aposta em um brechó on-line para consolidar esse movimento. 

De luxo e de segunda mão, por que não?

O mercado de luxo também não está de fora desse movimento. A marca do Reino Unido, tradicional  por seus artigos de couro, Mulberry, lançou seu próprio programa de recompra on-line. O Mulberry Exchange adquire de volta o produto da própria marca que o consumidor não queira mais, restaura e coloca a venda novamente. 

Seguindo a tendência, a Nike trabalha em duas frentes: a da revenda de produtos de segunda mão, com o projeto Nike Refurbished, que funciona em lojas específicas, onde os calçados usados da marca são restaurados e revendidos; e o  programa Nike Grind, em que aqueles pares que não têm mais condições de uso são reciclados e volta para o mercado como grama sintética ou piso de quadras de basquete ou ainda borrachas para bicicletas. 

Atenção também para um movimento de mercado que aconteceu este ano e mostra como a revenda de produtos de segunda mão está ganhando relevância no mundo. A marca de comércio eletrônico americana que vende itens de segunda mão, Etsy, investiu $1,6 bilhões de dólares no aplicativo queridinho da geração Z para compra e vendas de roupas de segunda mão, Deppop. O movimento amplia a base de atuação da empresa americana para quase 150 países e ainda fica com uma base de 30 milhões de usuários, 90% deles abaixo dos 26 anos, que impulsionam o movimento do reuso

Veja também: A personalização em escala já é realidade em diversos segmentos

No seu negócio é possível aplicar a logística de revenda? Como o seu consumidor iria se comportar com essa possibilidade? Fica a reflexão.