Privacidade dos dados e o autocuidado tecnológico

By 18 de novembro de 2020 Blog, Tendência

Há algum tempo se escuta que os dados são o novo petróleo. A afirmação não poderia ser mais apropriada, já que a vida digital não tem mais volta e para que ela se movimente é preciso entregar cada vez mais dados pessoais. E é aí que surgem duas grandes preocupações: 

A primeira é o que estão fazendo com esses dados? Para amenizar essa questão é que foi criada a Lei Geral de Proteção de Dados, que garante aos usuários uma política de transparência quanto a utilização dos dados dele por empresas. Já a segunda, mais difícil de resolver, é o roubo dos dados. Essa é uma preocupação não só das pessoas, como também das instituições.

Só este mês, houve dois fatos que mostram a vulnerabilidade institucional. O primeiro foi a invasão ao sistema Superior Tribunal de Justiça (STJ), que deixou a corte inoperante. O outro, foi o ataque, no último domingo (15), ao sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que expôs dados antigos, mas, felizmente, não ameaçou as eleições. 

Então, se instituições tão poderosas se mostram vulneráveis, imagina os usuários? Para se ter uma ideia, entre março e maio de 2020, a busca de informações pessoais e bancárias de brasileiros na chamada dark web cresceu 108%, segundo pesquisa feita pela empresa Refinaria de Dados. O número de buscas diárias subiu de 9 milhões, no período pré-Covid-19, para 19,2 milhões. Além disso, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), relatou que durante a pandemia houve um aumento de 70% de envios de links maliciosos que capturam os dados pessoais.

Uma pesquisa da WT Data, realizada nos Estados Unidos, constatou que após serem notificados sobre um problema de segurança com seus dados pessoais, 55% das pessoas relataram se sentir desorientadas, 48% violadas e 37% amedrontadas. Por isso, há algumas inovações pensando em promover uma relação saudável das pessoas com os dados e também incentivar a proteção deles.

A primeira é o aplicativo chamado Jumbo, que promete gerenciar todas as configurações de privacidade dos usuários de um único local, desde alterar dados do Facebook, passando pela exclusão de tweets antigos, até chegar nas pesquisas do Google e nas consultas por voz na Alexa sem deixar rastros. Só o usuário pode fazer um backup de suas informações que ficam armazenadas no seu celular, ou seja, ninguém mais tem acesso. 

Já o Winston é um dispositivo instalado em casa que criptografa e protege a rede e todos os equipamentos conectados a ela, como dispositivos e serviços de streaming, incluindo Alexa, webcams, smart TVs e roteadores Wi-Fi da Amazon. O filtro protege também de pop-ups e cookies e bloqueia toda a vigilância da atividade online dos usuários, de hackers e empresas em potencial que tentam aumentar as vendas.

Winston, sistema de proteção de dados para residências

Pensando em melhorar o bem-estar digital, ensinar como realizar limpezas de aplicativos e proteger valores virtuais é que a Mozilla and Tactical Tech lançaram o Data Detox Kit. É uma espécie de trilha, com etapas diárias, que posiciona a segurança digital como um pilar do bem-estar. As dicas ensinam como controlar os dados do smartphone, como mudar as configurações ou fugir de padrões para sair da bolha.

 

 

E o último exemplo é focado nas gerações futuras. O Facebook fez parceria com o Conselho Central de Educação Secundária da Índia para lançar um currículo certificado em segurança digital e bem-estar on-line. O objetivo é preparar os alunos do ensino médio para empregos atuais e emergentes e ajudá-los a desenvolver habilidades para navegar com segurança na Internet, fazer “escolhas bem informadas” e pensar sobre sua saúde mental. É uma forma de alfabetizar digitalmente os mais jovens para deixá-los menos vulneráveis às armadilhas que todos nós enfrentamos hoje.