O êxodo dos grandes centros para as zonas metropolitanas

By 24 de setembro de 2020 Blog, Curadoria, Radar

Até fevereiro deste ano, as áreas mais próximas do centro da cidade estavam supervalorizadas e os espaços de moradia cada vez menor. O trabalho remoto era uma tendência emergente, e para muitas empresas muito improvável de ser adotado. Foi o coronavírus chegar que tudo mudou completamente. Há um movimento de troca de locais e estilos de vida urbanos pela segurança relativa, economia e espaço das regiões mais afastadas do centro

Esta mudança está fazendo com que muitas varejistas repensem suas estratégias também, já que em grandes centros o tráfego de pedestres diminuiu. Um exemplo são os Estados Unidos. Na Broadway, em Manhattan, mais de 300 lojas estão vazias, relatou o Wall Street Journal. Algumas lojas famosas como a JC Penny e a Kate Spade fecharam definitivamente filiais em Manhattan. Em três meses, a cidade que tinha imóveis disputadíssimos está com vários apartamentos desocupados. Algumas corretoras estão oferecendo até 3 meses grátis de aluguel para quem fechar 1 ano ou cartões de presentes de quinhentos dólares para novos inquilinos.

Reportagem Bom dia Brasil sobre os aluguéis em NYC

No Reino Unido, a situação não é diferente. O tráfego em famosas ruas comerciais como a Oxford Street, em Londres, está 63% abaixo dos níveis de 2019, de acordo com um relatório de agosto de 2020 da New West End Company (NWEC). Em Piccadilly, as vendas na loja principal de seis andares da Waterstones caíram 85%, de acordo com a própria varejista. Por outro lado, dados da Mastercard mostram que são os subúrbios de Londres que estão liderando a recuperação econômica da capital inglesa. Assim como nos Estados Unidos, onde o mercado imobiliário de áreas mais afastadas do centro da cidade tem casas com filas para visitação e várias ofertas com lances acima dos preços solicitados, de acordo com o New York Times. E no Japão, onde jovens trabalhadores estão migrando das áreas urbanas para as áreas rurais em busca de melhor qualidade de vida.

Foto: Karsten Moran para The New York Times

São mudanças de um estilo de vida. O comum era encontrar quem saiu de uma casa para morar em um apartamento mais perto das áreas centrais da cidade para ficar próximo do trabalho e da escola. Foram anos de valorização comercial das áreas mais centrais das cidades. Agora o comportamento tá revertendo e não só o mercado imobiliário que está sendo impactado, mas também a construção civil. Até os mercados menores, como Alagoas por exemplo, já está percebendo esta movimentação. Ainda em julho, imobiliárias e arquitetos e construtoras já percebiam um aumento de cerca de 30% na procura por casas e loteamentos, como destacou o Agenda A.

A mudança de comportamento foi repentina e rápida, e o varejo vai precisar se adaptar para atender essas novas necessidades de consumo. No próprio Brasil já existem lojas de conveniência autônomas, sem nenhum funcionário, que funcionam em condomínios fechados para atender estas pessoas que já iniciaram o movimento de êxodo dos centros urbanos. Já no mercado da construção civil, será frequente o aparecimento de bairros de casas planejados e  uma espécie de mini-cidades dentro de cidades.