A economia da atenção suas inovações e preocupações

By 17 de setembro de 2020 Blog

A era digital trouxe com ela a chamada economia da atenção. Durante a maior parte da história, o acesso à informação sempre foi limitado, só recentemente que se tornou possível obter informações em grande escala e em diferentes mídias. Mas, apesar da evolução tecnológica, o cérebro continua com o mesmo poder de processamento de sempre, por isso, ganhar a atenção de alguém é um fator determinante e que mobiliza uma grande indústria. A atenção não é apenas um recurso, mas uma moeda: onde pessoas e empresas pagam para ter um serviço que prendam a atenção.

Basicamente qualquer negócio digital faz parte da economia da atenção. Isso inclui do Google, Facebook, Twitter, até um site de notícias ou um aplicativo de jogos, por exemplo. O objetivo deles é manter os usuários conectados o máximo de tempo possível, assim, as plataformas vão conhecendo a cada um e vendendo os hábitos de consumo para empresas que estão procurando pessoas com determinado perfil para comprar algo delas. Cada mudança nas interfaces é para manter ainda mais o tempo de conexão.

Para garantir a atenção há táticas até conhecidas, como publicidade interativa e entrega de conteúdo de acordo com o que o algoritmo acredita que vai prender a atenção do usuário. O site de notícias da rede de TV americana ABC aposta no volume. São várias pequenas manchetes logo na entrada da home para ver se desperta o interesse do usuário por algum dos temas e faz com que ele permaneça na navegação. Os banners e notificações nas telas também têm a função de trazer as pessoas que estão interagindo àquela conteúdo para as plataformas. É tudo muito pensado!

Série de TV AlemãNo rol das inovações nesta área, o Facebook e Instagram, estão testando anúncios de realidade aumentada. Já a TV alemã RTL adicionou um áudio interativo a série “Cobra 11“. A proposta é que os telespectadores possam influenciar o curso da história, utilizando assistentes de voz como Alexa e Google Assistant. São 196 decisões que podem ser tomadas durante seis episódios. As pessoas podem dizer “Sim” ou “Não” às decisões possíveis, guiando assim a história em uma determinada direção. Diante disso, não tem como não estar atento ao conteúdo. E fora isso cada decisão diz um pouco sobre o comportamento e a mentalidade da pessoa que está decidindo. 

Empresas focadas em publicidade estão investindo pesado para garantir a atenção e vendê-la para seus clientes. É o caso da empresa americana Clear Channel Outdoor Holdings, que tem outdoors rastreadores que podem acessar dados anônimos de telefones celulares sobre as pessoas que passam por eles. Esses dados coletados fornecerão informações sobre o que os consumidores compram e quais filmes ou séries eles veiculam para que os anunciantes façam publicidades mais assertivas. 

Já a Jinglz desenvolveu uma tecnologia que usa detecção de emoções no rostos das pessoas para medir a reação dos telespectadores à publicidade. A tecnologia, chamada EmotionTrac, usa a câmera frontal de um telefone ou tablet para capturar as emoções das pessoas enquanto assistem a um vídeo e depois analisá-las para otimizar anúncios. Neste caso, a pesquisa é feita com voluntários.

Esta competição toda por atenção está causando alguns problemas, que não são de hoje. Primeiro, os usuários se tornam produtos destas tecnologias que passam a conhecê-los, às vezes mais que eles mesmos, e depois vendem os hábitos para terceiros. É como ouvir que se uma empresa está te oferecendo algo e não está pedindo nada em troca, então você é a mercadoria. E fica aí um ponto de reflexão. Além disso, colocam os usuários em bolhas e só dão acesso a conteúdos que acham que eles vão gostar, tudo para manter a atenção. 

Este tipo de ação, provoca desinformação, desperta ansiedade e incentiva sensações negativas, já que são elas que fazem a tomada de ação mais impulsiva e não deixam desconectar. Tudo isso é tão grave, que se três pessoas pesquisarem no Google os mesmos termos, é capaz de aparecer resultados completamente diferentes, até opostos para cada uma, porque a tecnologia por trás da plataforma vai priorizar o que ela identifica o que cada usuário gostaria de ver, e não necessariamente o que é mais confiável. 

Sobre esse tema, tem uma indicação de um documentário chamado “O dilema das redes”. Ele aborda o impacto que as redes sociais podem ter na sociedade, principalmente na democracia e na humanidade. Tudo isso na visão de especialistas. Vale a pena assistir e refletir!