O florescer criativo na pandemia do coronavírus

By 10 de setembro de 2020 setembro 11th, 2020 Blog

O ponto de partida para grandes inovações na história foi sempre a criatividade. Mas foi com o avanço da tecnologia que o “ser criativo” foi elevado a uma importância ainda maior para o mercado de trabalho, em várias áreas, e passou a impulsionar o setor produtivo. 

Referir-se a indústria criativa significa englobar as áreas de cultura, artes, audiovisual, mídias, tanto as tradicionais como as novas; design, arquitetura, publicidade, entre outras… o mercado global movimenta mais de 5 bilhões de dólares, segundo relatório divulgado pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), em 2018. Já no Brasil, a economia criativa é responsável por 2,61% do PIB, segundo a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (FIRJAN).

Passado esse panorama, conheça algumas inovações que têm atitudes criativas como base. O primeiro sinal a destacar é que os vídeos selfies e caseiros perderam de vez o estigma de “csa de segunda linha”. Hoje são completamente aceitáveis e usados normalmente em todo tipo de produção audiovisual. Mas, alguns criativos elevaram o padrão, é o caso da banda Thao & The Get Down Stay Down, que lançou um videoclipe criado inteiramente no Zoom. Os elementos coreográficos e as janelas das videochamadas interagindo entre si tornou o projeto interessantíssimo e completamente diferente.

Nesta mesma linha, a série All Rise, exibida pela emissora americana CBS, fez um episódio totalmente virtual durante a pandemia. As imagens foram filmadas pelo FaceTime e Zoom. A série se tornou a primeira com script em horário nobre a retomar a produção cumprindo as medidas restritivas em meio ao isolamento social. Outras produções também buscaram adaptações, foi o caso do programa humorístico Saturday Night Live, da rede americana NBC, que lançou novos episódios escritos, dirigidos e filmados das salas dos comediantes com todos os acessórios e ferramentas que eles tinham à mão, e os talk shows, que fizeram entrevistas inteiras via zoom, cada um na sua casa.

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No Brasil, Marcelo Adnet roteirizou, produziu e dirigiu esquetes de humor diárias para o Globoplay e os talk shows seguiram a mesma linha dos da TV americana. Mas quem se adaptou em tempo recorde e conseguiu se diferenciar na produção audiovisual foi o Porta dos Fundos. A empresa adotou o home office por tempo indeterminado e passou a produzir todo o seu conteúdo de casa, usando o contexto da pandemia como tema para muitas dos programas. Eles fizeram inclusive um vídeo para mostrar como toda a equipe, de figurinistas a maquiadores, passaram a trabalhar e produzir os episódios durante o isolamento. 

 

Talk Show da NBC

Então, a participação virtual e a possibilidade de entrevistar qualquer pessoa do mundo por video chamada é uma mudança e tanto. Quando se projeta um caminho, imagina-se que esta possibilidade pode transformar muito as produções e a forma como as equipes trabalham a notícia. Então, fica a pergunta: Será que alguns deslocamentos não seriam completamente dispensáveis? Será que algumas matérias poderiam ser inteiramente produzidas da redação, de forma virtual? São só algumas perguntas que com certeza os gestores devem estar se fazendo agora. 

Também, as inovações da indústria criativa foram além das produções audiovisuais. O teatro se reinventou completamente e passou a utilizar as plataformas digitais para apresentar seus espetáculos online. Ainda em maio, atores britânicos decidiram estrear uma peça de rádio online. Os atores da peça The Understudy gravaram suas respectivas partes separadamente em casa, e a produção completa foi transmitida online, dando a possibilidade do público apenas ouvir a interpretação ou acompanhar as vozes junto a uma animação. 

Elenco do espetáculo online "Parece Loucura mas há método"

Atores do Armazém Companhia de Teatro

Já no Brasil, algumas produções teatrais estão sendo apresentadas on-line. Uma das mais inovadoras é a experiência “Parece Loucura, Mas Há Método”, criada pelo Armazém Companhia de Teatro. Nove personagens se enfrentam em uma arena de ideias, sendo conduzido pelas intervenções de um Mestre de Cerimônias. O público participa ativamente e vai eliminando personagens e a narrativa vai se definindo, ficando diferente em cada apresentação. Tudo isso é feito com o ator em sua casa e exibido pelo zoom.

 

Murilo Gun e seu curso reapredizagem criativa

As empresas de tecnologia também decidiram investir no desenvolvimento do potencial criativo. A Apple lançou o Today at Apple at Home, uma série de aulas gratuitas ministradas por profissionais criativos da Apple, que ensinam aos usuários como desenhar retratos divertidos em um iPad, como capturar boas fotos e como tornar os filmes mais cinematográficos em um iPhone. E e por falar em cursos, o humorista Murilo Gun, decidiu disponibilizar gratuitamente seu curso para desbloquear a criatividade dos adultos. O curso, chamado Reaprendizagem Criativa, agregou muitas pessoas que hoje formam comunidades das diversas áreas da indústria criativa no Facebook.  

A economia criativa é uma indústria bilionária que impulsiona muitas inovações, só falta ser olhada com um pouco mais de atenção, para que se consiga explorar todo o potencial.