A desaceleração da moda

By 5 de agosto de 2020 Blog, Tendência

O movimento de grandes marcas do mundo fashion demonstra que há uma necessidade de diminuir o ritmo e pensar em alternativas mais sustentáveis para este mercado. A era das “fast fashion” parece estar chegando ao fim.

A indústria da moda é mais uma que foi profundamente impactada por causa da pandemia da Covid-19. Só que neste caso, o problema não foi apenas a pausa na produção e no comércio, mas também a reflexão sobre prioridades de consumo e a relação com o meio em que vivemos.

De acordo com os dados, a necessidade de mudança já era urgente bem antes da pandemia. Números da ONU mostram o quanto a indústria da moda prejudica o meio ambiente. Ela sozinha produz anualmente 10% das emissões globais de dióxido de carbono, e usa cerca de um trilhão e meio de litros de água. Além disso, 85% de todos os têxteis vão para o lixão a cada ano. E lavar alguns tipos de roupas envia milhares de pedaços de plástico ao oceano. É um impacto ambiental gigantesco, especialmente se levarmos em consideração as marcas “fast fashion” que chegavam a lançar até 24 coleções em um único ano.

Fábrica de roupas em Bangladesh produzindo para designers estrangeiros. Foto: NurPhoto via Getty Images

Paralelo a esta produção desenfreada, já havia um movimento emergente que tratava do anti-excesso no consumo, e foi a parada da pandemia que fez esta tendência se acelerar. Hoje os consumidores que querem atitudes mais éticas e ambientalmente responsáveis das marcas, impulsionam o reposicionamento do mercado que buscam o conceito de “slow fashion“, com peças bem mais duradouras e sustentáveis.

Desde o novo conceito chamado “unsubscribed“, lançado em junho deste ano pela American Eagle Outfitters, que tem como proposta oferecer produtos feitos de forma consciente e para serem usados ​​“para sempre”. Passando pela decisão de marcas de luxo como a Gucci, que além de ter diminuído de cinco para duas coleções por ano, lançou também a “Gucci Circular Lines“, coleção que usa materiais reciclados, orgânicos, de base biológica e de origem sustentável. Chegando até as marcas Michael Kors e Saint Laurent que diminuíram o número de coleções anuais e decidiram fazer seus próprios calendários, sem necessariamente participarem dos grandes eventos de moda. Ou seja, as grandes semanas de moda podem não ser mais tão grandiosas assim!

Coleção Off the Grid da Gucci como parte da iniciativa Gucci Circular Lines

Uma outra inovação é a fabricação industrial sob-demanda. A empresa americana OnPoint Manufacturing utiliza automação, integração com computador e a personalização para fazer as roupas encomendadas por designers de moda e estilistas. Com este modelo sob-demanda, só são produzidas as peças que estão realmente vendidas.

Curso de Slow Fashion ArkDeFo

Em um âmbito mais educacional, a agência de criação escocesa ArkDeFo está procurando educar a geração mais jovem sobre os valores e a ética na moda. Semana passada, a agência lançou um curso online de “Slow Fashion” para ensinar crianças entre 8 e 14 anos a se conectarem com artesanato e apreciarem roupas artesanais.

 

Limonada Vintage Brechó no Instagram

Existe um número crescente de consumidores, especialmente na Geração Z, realmente preocupados com a sustentabilidade. Foi apoiada nesse conceito que a startup inglesa Depop surgiu. Ela traz peças de marcas famosas, mas também de criadores independentes, e quer deixar este mercado mais inclusivo e menos dispendioso. Além disso, há marcas brasileiras que já surgiram com o conceito slow fashion, é o caso da Sim Store e da Iral, que se propõem a produzir peças mais duradouras. Uma outra vertente que está sendo impulsionada por este consumidor é o mercado de segunda mão, a volta dos brechós! Em Maceió, existem movimentos sazonais de brechós, e só bem recentemente é que está surgindo propostas mais estruturadas com conceito de curadoria de peças, que é o caso do Limonada Vintage Brechó, que tem perfil no Instagram e cheio de peças bem interessantes. Vale a pena dar uma conferida!