O distanciamento social e as novas configurações das cidades

By 12 de junho de 2020 Blog

As cidades estão flexibilizando o isolamento social, mas o distanciamento ainda precisa ser mantido. Por isso algumas regiões estão propondo alternativas para orientar a população quando forem conviver em espaços públicos. Algumas ideias, que sinalizam visualmente o distanciamento que deve ser mantido em praças, parques e praias, já começaram a ser colocadas em prática mundo afora.

Foto: Francesco Noferini, cortesia de Caret Studio para Wunderman Thompson

Na Itália, por exemplo, um estúdio de design instalou uma série de quadrados pintados de branco na região central da cidade de Vicchio. A proposta é indicar a distância correta que as pessoas devem manter umas das outras na área. Já em um dos parques da cidade de Nova York, que fica no Brooklyn, foram pintados círculos brancos na grama para ajudar os visitantes a se separarem fisicamente. Esta pode ser uma alternativa para as nossas praias, quando estivermos nesta fase.

Há também cidades que estão redirecionando os espaços públicos para ajudar os negócios locais. A Lituânia, por exemplo, transformou sua capital, Vilnius, em um café ao ar livre. A cidade cedeu grande parte de seu espaço público a bares e restaurantes, permitindo que eles possam atender um bom número de clientes ao ar livre, sem o medo de superlotação.

Em ambientes fechados, a preocupação é ainda maior. Na Alemanha, o teatro Berliner Ensemble, um dos mais tradicionais de Berlin, removeu aproximadamente 500 dos seus 700 assentos para estar alinhado com as regras de distanciamento social do país.  O local se organiza para sua reabertura, que vai ser em setembro. 

Imagem: Moritz Haase

Com o futebol não foi diferente. Um time dinamarquês conseguiu reunir 10 mil torcedores em uma partida oficial e ainda manter o distanciamento social. A iniciativa inovadora aconteceu graças a uma parceria entre o time AGF e a plataforma Zoom. Durante a partida, os gritos da torcida foram canalizados para os alto-falantes do estádio e os rostos das pessoas foram projetados em um gigantesco video wall. Foi uma operação teste acompanhada de perto por dirigentes de outros times europeus.

Crédito: Henning Bagger/EPA, via Shutterstock para o NYT

Os museus e outros espaços turísticos também precisarão se adequar às regras de distanciamento social. Neste âmbito, a referência veio de um os locais mais freqüentados de Florença, na Itália, a Catedral de Santa Maria del Fiore (Duomo). Os visitantes vão usar um colar que pisca, vibra e emite um bipe suave quando uma pessoa acidentalmente caminhar até dois metros de um outro. Os dispositivos serão entregues gratuitamente na entrada no museu e deverão ser devolvidos no final da visita, onde serão desinfetados antes de serem utilizados novamente. 

Para as pessoas que querem monitorar o próprio distanciamento social, o Google lançou, no final do mês passado, a SODAR, uma ferramenta de realidade aumentada para mapear o espaço ao seu redor, sobrepondo um círculo de raio de dois metros à vista da sua câmera. A ferramenta pode ser acessada em dispositivos Androids, através de navegadores Chrome, sem necessidade de baixar aplicativos. Ela ainda não está disponível para sistemas IOS. 

 

Mock-up: Safran

Há também inovações criadas para garantir o distanciamento em transportes. No Reino Unido, por exemplo, duas empresas estão propondo soluções para assentos da classe econômica de aviões. A solução, chamada The Interspace Lite, foi criada para isolar o assento do meio dos aviões que têm de três poltronas coladas por fileira. Nelas são instaladas conchas acolchoadas, que têm a mesma altura do assento. Essas conchas podem ser instaladas em 90% dos assentos econômicos e proporcionam um grau de privacidade e proteção para viagens pós-COVID.

Uma outra iniciativa, nas Filipinas, pensada para atender os transportes coletivos. São divisórias transparentes que são colocadas entre os passageiros, formando uma espécie de cabine individual anti-COVID-19. Essas divisórias são presas com grampos, sem a necessidade de perfuração. Devido ao seu design simples, elas podem ser desinfetados regularmente ou desmontadas.

Então, as adaptações estão só no início e tanto os negócios quantos os gestores públicos brasileiros devem estar atentos às medidas que precisam ser tomadas para esta nossa nova realidade.

 

Crédito da imagem de capa: Domino Park. Cortesia de Marcella Winograd para Wunderman Thompson