O impacto da pandemia coronavírus nas inovações

By 24 de março de 2020 Blog, Radar

Um novo coronavírus chegou e o mundo parou. Os impactos da pandemia causada pela Covid-19 vai reverberar na saúde pública, mental e em várias outras áreas que regem o mundo atual. Mas o mundo poderia ter se preparado para um evento como este?

Para compreender melhor o que está acontecendo, é necessário entender dois conceitos que são usados pela ciência para momentos assim: o Black Swan (Cisne Negro) e o Black Elephant (Elefante Negro). Os Cisnes Negros são fenômenos imprevisíveis, ou seja, ninguém está esperando sua ocorrência, além de ser de alto impacto, e que pode levar a resultados catastróficos. Já o Elefante Negro é um evento extremamente provável e amplamente previsto por especialistas, mas ignorado, e que quando acontece tem as mesmas consequências que as de um Cisne Negro. 

Um relatório de tendências encomendado pelo Governo Americano, em 2008 (12 anos atrás), já apontava a probabilidade de uma pandemia mundial causada por um vírus respiratório que aconteceria até 2025. Entre os agentes listados responsáveis por esta pandemia estava o coronavírus. Essa pesquisa foi do Conselho Nacional de Inteligência dos Estados Unidos, e apontava que a China ou algum país do Sudeste Asiático seria o ponto de origem da doença, em virtude do tamanho da população. O nome do relatório é “Global Trends 2025: A Transformed World” e mostra que ninguém está preocupado com o futuro, nem as maiores potências mundiais, e que estamos diante de um evento que foi previsto em 2008. Ou seja, um Elefante Negro!

O Coronavírus mexe com estruturas que eram consideradas sólidas e acelera mudanças que teriam um passo mais lento. Uma delas é a adoção mais palpável do trabalho remoto. Neste momento de crise, várias instituições, públicas e privadas, adotaram como medida de segurança o teletrabalho por tempo indeterminado. Algo que era feito de forma pontual, que precisava seguir alguns critérios previstos em lei e no contrato trabalhista, agora virou uma regra e isso vai obrigar que a legislação mude completamente, tanto a nível de pessoas quanto de empresas.

Aproveitando este momento e pensando no movimento futuro, o Google e a Microsoft abriram para uso gratuito suas ferramentas corporativas. A oportunidade vem exatamente em um momento que os dois gigantes enfrentam uma concorrência acirrada de empresas, como Zoom e Slack, que atuam exatamente na vertente do trabalho remoto. Ao oferecer esses serviços aprimorados gratuitamente por um tempo estendido, as pessoas logo se tornarão clientes, pois vão sentir a necessidade deles para a nova rotina que será criada daqui pra frente.

Já outro mercado que deve ser impactado é o da educação. Além dos cursos EADs para adultos, que já existem, com a suspensão das aulas nas escolas, crianças e adolescente estão em casa, podendo inclusive perder um tempo preciso de aprendizagem. Hong Kong, por exemplo, conseguiu minimizar este impacto na educação infantil através de aplicativos interativos, mas o local é exceção. Pós-crise, com certeza a educação básica e fundamental vão precisar repensar seus modelos. Seja de forma remota ou híbrida (mistura do digital com o físico). A remodelagem do negócio irá trazer impactos inclusive financeiros, porque alguns custos devem ser barateados a longo prazo.

O mercado de turismo e o de eventos também precisarão se reinventar, inclusive adotar medidas completamente diferentes, como viagens por meio de realidade virtual, que devem ser consideradas com maior atenção. Antes ele era apenas um tendência emergente focada em pessoas com incapacidade de mobilidade, hoje o mundo tem literalmente parado. 

As grandes agências de tendência e inovação mundiais já estão neste momento discutindo o pós coronavírus e seu impacto em vários mercados. Instituições como a Singularity University, que tem foco na inovação e resolução de problemas, realizou um evento online e gratuito com vários especialistas renomados, que tratam do tema e seus impactos em várias vertentes. E fica o convite a todos a prestar mais atenção ao futuro para que ninguém seja “pego de surpresa” como agora! 

 

Texto: Rosa Ferro e Lays Alpino